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sala de espera da oficina…

Assentada na sala de espera da oficina mecânica de 14:00 as 19:00 torna impossível não pensar em tantas coisas… mesmo porque tempo para isso é o que não falta.

Na minha frente apenas uma recepcionista que também parece entediada. Lá fora um caos por causa da pressa de todos me faz pensar que nunca é uma boa idéia trocar pneus na véspera de feriado. Por causa da correria e rotina infelizmente só sobrou hoje. Depois de três horas pensando em tantas coisas, planejando detalhes da viagem, pensando nas palavras que vou ministrar, montando aulas do Webnário na mente e orando por coisas que preciso apresentar diante de Deus…. depois disso um silêncio profundo. Não um silêncio ao meu redor. Me refiro ao silêncio da alma, aquele que a gente as vezes quer evitar porque nos faz pensar em coisas mais profundas, as vezes boas, as vezes ruins.

Penso na espera. Penso nos desertos. Penso nos momentos de silêncio de Deus.

A sensação pode parecer como essa: lá fora na oficina todo mundo em plena atividade, correndo de um lado pro outro, resolvendo problemas e chegando a um resultado final. Na sala de espera ficamos presos do outro lado da porta de vidro. Não adianta querer ir embora porque simplesmente você não pode sair e abrir mão de tudo. Você precisa esperar e detesta esse fato. Mas não adianta. Não tem para onde correr. A única coisa que você pode fazer é aquilo que você não quer: ESPERAR! E talvez seja bom pensar em algo para fazer enquanto se espera.

Assim é com cada um de nós nos momentos que Deus nos leva aos desertos e estações de espera em nossas vidas. Todos nós falamos e filosofamos sobre os desertos: não é lugar de privação e sim de privacidade. Não é lugar de punição e sim de preparação. Todos sabemos disso.

“Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Oséias 2.14). O amado noivo chama a noiva para uma conversa íntima. O cenário? Desértico. Talvez para que haja silêncio absoluto, deixando do lado de fora todo caos e agitação, afinal na espera do deserto nossa alma acaba se silenciando, normalmente depois de espernear, chorar, reivindicar até chegar num ponto em que se rende e decide aguardar uma resposta e uma palavra do Noivo.

É aí que encontramos o que fazer durante a espera (se é que você me entende). Encontramos algo para ocupar nossa mente e coração porque percebemos que não temos como sair antes do prazo determinado não importa quão bonzinhos sejamos ou quantas tarefas precisamos realizar do lado de fora. A questão é se vamos aprender a lição do deserto ou permanecer dando voltas. A noiva de Cantares aprende a lição (láááá no final do livro) porque a declaração sobre ela é poderosa:

“Quem é esta que sobe do deserto e vem encostada ao seu amado?”

Ela sai do deserto de forma diferente do que entrou. Ela sobe com a cabeça reclinada no ombro do amado. Se você se lembra bem, esta posição simboliza intimidade a partir do discípulo mais íntimo de Jesus – João. Ele reclina a cabeça em Jesus na última ceia. E Jesus deixa 🙂 Os outros discípulos é que perderam a oportunidade, pois não foi Jesus quem reclinou a cabeça em João e sim João em Jesus – intimidade é para todos que quiserem. A partir deste momento João só descreve a si mesmo na terceira pessoa, nunca mais falando de si mesmo como mais importante. Isso me mostra que ele reclinou a cabeça e a vida em Jesus! Como noiva precisamos fazer o mesmo, subir do deserto reclinados Nele, abraçados apenas a Ele, confiando e descansando na liderança Dele, que Ele é fiel para completar a obra que começou em nós, mesmo que para isso seja necessário descermos ao deserto da “sala de espera” de Deus!

“Jesus, eu quero subir deste deserto reclinada no Teu ombro. Quero subir deste deserto com um coração mais maleável, mas parecido com o Teu. Não quero perder esta oportunidade mas sim abraçar esta estação sabendo que tudo coopera para meu bem inclusive minha espera e deserto, desenhados tão individualmente para mim! Quero no silêncio a sós ouvir coisas novas, apenas entre nós, eu e o Senhor, aproveitar que todo o caos está fechado lá do lado de fora, para que enfim possa SUBIR DO DESERTO RECOSTADA EM TI!”

Quando a gente assustar alguém nos chama pelo nome e diz que já podemos sair e ainda nos escolta! O resultado esperado está pronto! E há felicidade em saber que não foi em vão, mas que as coisas de fato MUDAM enquanto esperamos!

Seja fortalecido nesse dia em sua espera!

Paz do Senhor!


Fechado

Comentei num post mais antigo sobre o que Deus me falou no início de 2010, para estudar os livros de Apocalipse e Cântico dos Cânticos SIMULTANEAMENTE. Nesse post até comentei uma experiência tremenda que tive pedindo a Deus que me explicasse algo que não estava entendendo.

Na minha cabeça jamais os dois livros tinham alguma ligação. Normalmente leio dez capítulos do NT por dia (isso me ajuda a ler o NT uma vez por mês) e quase todo domingo leio o livro de Apocalipse inteiro. Quero ter o livro de Apocalipse em minha mente e coração, em minha linguagem, em meu entendimento e em minha linguagem de oração. A Palavra nos diz prá pensar nas coisas que são do alto. Ler Apocalipse junto com Cântico dos Cânticos tem mudado RADICALMENTE minha forma de ver o Senhor. E algo me chamou atenção. Talvez não teria visto isso se não estivesse lendo os dois ao mesmo tempo.

Jesus chama a sua amada Noiva, a Igreja de JARDIM FECHADO. E em Apocalipse a sua amada Noiva, a Igreja (as cartas são para igrejas e não incrédulos) está com a PORTA FECHADA e Jesus fica preso do lado de fora.

Note bem a diferença. Na antiguidade existiam dois tipos de jardins – jardins públicos e jardins fechados. Os reis tinham jardins fechados onde só a família do Rei era bem-vinda. Os jardins públicos… bem… o próprio nome já diz.

A Igreja ouviu da boca de Jesus – “Eis que estou à porta e bato…” – Jesus estava fechado, do lado de fora, sem poder entrar. Repito que não é uma passagem para incrédulos, e sim para a Igreja. Triste pensar que hoje ainda, Jesus também se encontra do lado de fora de tantas igrejas e corações que dizem pertencer a Ele.

Mas a amada, que em Cântico dos Cânticos é uma figura perfeita da Igreja, à partir do capítulo um vai crescendo em entendimento, em comunhão, em intimidade com o Amado. Existe um progresso espiritual em sua vida tremendo e toda simbologia desse livro é simplesmente fascinante à quem deseja se aprofundar, guiado pelo Espírito de Deus, que é nossa “escolta”, nos levando à profundeza do coração do Pai.

A Amada, a Noiva amadurece espiritualmente. E então Jesus diz: “Jardim fechado és tu”. Que lindo! Ele não está fechado do lado de fora. Na verdade, está fechado DO LADO DE DENTRO, porque o jardim que Ele menciona é um jardim fechado, jardim particular, como o jardim de um Rei! E Ele é nosso Amado mas também o nosso Rei! Eu quero ser um jardim fechado para Ele, onde só o Espírito Dele, e nenhum outro, tenha acesso! Deus tem uma “coisa” com jardins, não é mesmo? 🙂 Deus ama jardins! E quando somos povo de propriedade exclusiva Dele (e agimos como tal) Ele nos vê como jardins particulares.

Mais lindo ainda é o que diz em seguida no capítulo 5 – “MANANCIAL FECHADO, FONTE SELADA” – você tem idéia do que isso significa? Fonte é o que Ele diz no NT: se crermos Nele rios de águas vivas fluirão do nosso interior, a fonte do Espírito Santo em nós. No NT também vemos que fomos SELADOS pelo Espírito Dele! As águas do Espírito Santo são límpidas, claras e se tornam um manacial poderoso nas vidas daqueles que são JARDINS FECHADOS PARA O SENHOR.

Mas o mais impactante vem depois! A noiva diz: “Ah! Entre o meu amado no jardim, e coma dos seus frutos excelentes!” O convite da Igreja à intimidade, dizendo que Ele é bem-vindo para entrar em Seu próprio jardim particular! A resposta do Noivo? (me emociono ao pensar no amor que Ele tem por mim, por cada um de nós):

“Já entrei no meu jardim, minha irmã, minha esposa” (…) “Comei amigos, bebei abundantemente, ó amados!” Me pergunto: A quem Jesus está chamando? Se o Jardim é particular, à quem o Noivo está convidando? Quem mais poderia participar de um momento tão íntimo? No mínimo precisa ser alguém do mesmo nível espiritual que Jesus, o Amado, porque este é um momento de comunhão íntima!

Pois a resposta está em João 14 (o evangelho do discípulo amado, que entendeu o princípio do amor e intimidade com Jesus e com o Pai).

“Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós… Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e VIREMOS PARA ELE, E FAREMOS NELE MORADA!” (v 20 e 23)

Jesus convida o Pai e o Espírito (por isso Ele diz ‘AMIGOS’ ao  convidá-los) e a TRINDADE PLENA faz morada em nós, quando somos um JARDIM FECHADO! Pensamos em porta fechada como algo ruim. Na verdade depende. A porta sempre vai estar fechada. A questão é se Jesus está sendo fechado do lado de dentro ou do lado de fora.

Jesus tem ficado do lado de dentro do seu coração (intimidade) ou do lado de fora (pois não é bem-vindo) batendo na porta? Lembre-se que Ele quer entrar e comer dos frutos excelentes, fazer jorrar a fonte de águas vivas do Espírito dentro de você. Se você abrir a porta Ele vai entrar e ceiar com você. Medite em Apocalipse 3:20 e em Cântico dos Cânticos 4 e 5.

Deus te abençoe.
Raquel Emerick